Atualmente, todo bom projeto nasce na tela de um computador. A adoção do modelo CAD 3D como ponto de partida tornou a simulação numérica parte natural do fluxo de desenvolvimento, afinal, ter o modelo pronto é o primeiro grande passo para gerar uma malha de elementos finitos. Para os engenheiros mais jovens esse fluxo parece óbvio, mas nem sempre foi assim: houve um tempo em que cada coordenada era digitada ponto a ponto, e pouquíssimas peças eram analisadas, sempre sob severas simplificações – eu, por exemplo, já trabalhei muito desta forma.
Hoje, softwares como o SOLIDWORKS Simulation automatizam boa parte desse processo: geram a malha, aproveitam as propriedades mecânicas já definidas no modelo e permitem validar não apenas peças isoladas, mas subconjuntos e produtos completos. É uma ferramenta fantástica para as validações rápidas do dia a dia.
Com tanta facilidade na mesa, surge uma dúvida comum entre engenheiros, projetistas e gerentes: devo incentivar minha equipe a fazer todas as simulações internamente ou devo contratar esse serviço de forma externa?
O alerta vermelho: facilidade não é assertividade
Antes de entrarmos nos pilares para que você possa tomar a decisão certa, aqui vai um comentário vital: o setup de um modelo de simulação está extremamente simples hoje em dia graças às tecnologias embutidas no CAD. No entanto, não confunda facilidade de uso com assertividade de resultados.
No mundo do CAE, existe uma máxima clássica: "Garbage in, garbage out" (lixo entra, lixo sai). Se os dados de entrada (restrições, cargas, contatos) estiverem errados, a resposta do software também estará, por mais bonito e colorido que o gráfico pareça. Para evitar surpresas desastrosas em campo, a capacitação na metodologia de simulação é indispensável antes de começar a tomar decisões de projeto.
Considerando que você busca resultados confiáveis, feitos por engenheiros qualificados, não por "clicadores de botões", vamos aos três fatores:
1. Disponibilidade e custo
Internalizar o projeto (in-house): o custo financeiro de adquirir um software costuma parecer menor no papel. Os investimentos envolvem a licença do SOLIDWORKS Simulation e estações de trabalho de alta performance. A moeda de troca aqui é o tempo: seu engenheiro de produto precisará pausar o design para entender o fenômeno físico, preparar o modelo, refinar a malha, rodar o cálculo e analisar os resultados.
Contratar o serviço (consultoria): exige um investimento direcionado por projeto, mas poupa o tempo interno, garantindo que o foco da sua equipe permaneça no desenvolvimento diário. Pensando estrategicamente: se o seu melhor projetista passar três semanas refinando uma malha complexa, quem estará projetando a próxima linha de produtos da empresa?
2. Conhecimento técnico (know-how)
In-house: é a escolha ideal para times que já dominam os conceitos físicos e o método dos elementos finitos, precisando apenas de volume de trabalho para ganhar ritmo e autonomia.
Consultoria: altamente recomendada se o produto envolve um processo físico novo para a empresa, se o projeto exige certificações e laudos específicos, ou se demanda equipamentos e rotinas de teste que você não possui internamente.
3. Complexidade da simulação
In-house: funciona muito bem para a rotina linear. Porém, softwares avançados perdoam poucos erros de contorno. Sem um especialista dedicado, tentar resolver problemas complexos dentro de casa pode estender demais os prazos por tentativa e erro, elevando o risco de falhas.
Consultoria: garante acesso imediato ao estado da arte da engenharia. Se o seu produto falhar em campo, o prejuízo financeiro e de imagem pode ser devastador. Neste cenário, a consultoria funciona como um verdadeiro "seguro de engenharia", trazendo metodologias validadas e correlação física testada.
Matriz de tomada de decisão
Como somos todos engenheiros e projetistas, nada melhor do que uma matriz técnica e visual para nos ajudar a balizar a melhor escolha:
| Critério de avaliação | Fazer em casa (SOLIDWORKS Simulation) | Contratar serviço (consultoria especializada) |
| Tipo de análise mecânica | Análise estática linear, pequenas deflexões, fadiga básica em regime elástico. | Dinâmica explícita (impactos/quedas), flambagem não-linear, fadiga termo-mecânica de alta complexidade. |
| Comportamento dos materiais | Metais comuns (aço, alumínio) trabalhando estritamente dentro do limite elástico. | Elastômeros (borrachas), plásticos com comportamento hiperelástico ou plástico, compósitos avançados. |
| Complexidade de contatos | Peças unidas (bonded) ou contatos simples sem atrito entre superfícies planas. | Grandes deslizamentos com atrito, contatos auto-intermitentes (peças que dobram e batem nelas mesmas). |
| Capacidade de hardware | Desktops de engenharia comuns ou estações de trabalho convencionais (Workstations). | Necessidade de HPC (High-Performance Computing) e múltiplos cores para processamento paralelo em nuvem. |
| Especialização da equipe | Projetistas e Engenheiros de Produto generalistas, focados no desenvolvimento do CAD 3D. | Especialistas dedicados (Mestres e PhDs em simulação numérica) focados em física matemática e correlação de testes. |
| Gargalo de cronograma | O cronograma do projeto é flexível e permite que a equipe aprenda a ferramenta por tentativa e erro. | O prazo é agressivo e crítico para o lançamento do produto no mercado (Time-to-Market). |
| Validação e confiabilidade | Validação conceitual preliminar ("o design está no caminho certo?"). | Certificação final de produto, laudos técnicos estruturais e mitigação de riscos de garantia. |
Conclusão
A fronteira entre fazer internamente e contratar não é uma linha rígida: ela se move de acordo com a complexidade do desafio. O SOLIDWORKS Simulation é o seu melhor aliado para dar velocidade ao projeto do dia a dia.
Se você já resolve bem as análises rotineiras, mas seus novos projetos trazem não-linearidades severas, materiais complexos e riscos elevados, o próximo passo não precisa ser investir meses estudando metodologias avançadas ou adquirindo softwares de alto custo. A MechWorks, agora impulsionada globalmente pela VIAS3D, funciona como uma extensão direta do seu departamento de engenharia, trazendo o poder computacional e o know-how de especialistas seniores para o seu projeto, sem travar o cronograma da sua equipe.
O objetivo nunca será eliminar o SOLIDWORKS Simulation do seu dia a dia — ele é vital para o design conceitual. O grande segredo é saber a hora exata de passar o bastão para um parceiro estratégico, antes que o problema se torne uma falha em campo.
Você já utiliza o Simulation na sua rotina? Deixe nos comentários qual tipo de produto e simulação você costuma rodar. E para quem ainda não simula no CAD: o que está travando essa decisão hoje — falta de software, de tempo ou de treinamento? Compartilhe para que possamos ajudar.
Seja qual for o tamanho do seu desafio, a MechWorks está aqui para apoiá-lo.
Entre em contato conosco pelo WhatsApp 21 3388 4500 ou e-mail contato.br@vias3d.com.
Artigo escrito por:
Marcus Bittar
Engineering Consultant da MechWorks tem mais de 30 anos de experiência na implementação de soluções de PLM. Iniciou sua carreira no projeto espacial brasileiro desenvolvendo estudos dinâmicos do lançador de satélites. Trabalhou na Compugraf, MSC.Software, ESSS e Dassault Systèmes antes de se unir à MechWorks.